Quando ninguém mais acredita…

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Marttuci: “A esperança não pode acabar nunca.”

Ser vitorioso é sempre gostoso e quem já venceu sabe bem disto. Mas existe uma circunstância em que ser vitorioso tem um sabor superespecial, “subarashii (“maravilhoso”, em japonês) pra caramba”. É quando ninguém mais “acredita” na gente. Eta coisa danada de boa quando conseguimos transformar todo um quadro de fracasso em grande vitória, quando, como se diz na linguagem popular, “arrebentamos a boca do balão”!

Seja no trabalho, na família, na vizinhança; seja num joguinho de truco, de buraco, de dominó, de bocha, de futebol, não importa. A sensação de que “eu venci” é insuperável, gostosa demais.

Quando se passou a vida inteira sonhando com uma casa própria, entrar nela é “porreta”!

Quando se desejou muito estar com a pessoa amada e isso ocorre, é “bicho bom”!

Quando se quis demais ter o primeiro carro, dirigi-lo e buzinar à toa, só para que os outros olhem, é “sarado”!

Mas quando todo mundo duvida da gente, quando todos nos olham como a personificação do fracasso, da incompetência, da fraqueza, da covardia, da derrota, e conseguimos vencer, aí sim, reside a maior das alegrias, o sentimento de “É bom me respeitar!”.

Por isso, se neste momento você se encontra em meio a um grande sofrimento, um problemão daqueles homéricos, por mais que você esteja desesperado, esteja sendo taxado de mil adjetivos negativos, não se esqueça deste incentivo do nosso mestre, que eu, em particular, tenho gravado em minha vida: “A palavra desespero não faz parte da vida de quem recita Nam-myoho-rengue-kyo.”

Agora chegou minha hora de provar que sou mais eu. Agora vão conhecer de quem sou discípulo. Agora vão saber por que optei ser membro da Soka Gakkai. Agora vou mostrar como se faz a verdadeira prática da fé. Já que ninguém acredita mais em mim, que ninguém acha que me sairei bem, vou vencer. Afinal sou leão e o leão não procura companheiros. “Um leão vale mais que mil ovelhas.”

É assim que surgem os grandes relatos de experiência, daqueles que incentivam companheiros no Brasil e no mundo. Quando o médico desengana, quando a ordem de despejo chega, quando o filho vai preso, quando o lar está desmoronando, quando acontecem acidentes, quando o dinheiro já acabou, enfim, quando ninguém mais acredita na gente, é que surge a força capaz de sacodir e abalar.

O ano ainda não acabou. O sonho ainda não acabou. A esperança de um bom budista não acaba nunca. Portanto, como afirma o poeta Thiago de Mello: “Faz escuro mas eu canto, porque o amanhã vai chegar.”

Brasil Seikyo, Edição 1534, 04/12/1999, pág. A2 / Tendência & Opinião

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